sábado, 30 de abril de 2011

A Metonímia Social

Liguei a TV sexta-feira e só se falava em uma coisa: O Casamento Real do príncipe William e de Kate Middleton.
Eis o rito profano - em se tratando de alteração de status e diversos pequenos rituais, e o rito sagrado na visão das pessoas do mundo todo. O príncipe eleito como o Herói e a moça escolhida. William é considerado pela sociedade como o Herói que nasceu em uma família rica, com uma mãe endeusada pela população, representada pelo ideal de mulher - bonita, poderosa, com visão social - e com um pai visto como um homem de valores desviados - traidor, prepotente e frio.

William, que nasceu em uma família nobre e cheia de status, mas que apesar disso iniciou a sua trajetória, buscando a autonomia, após a morte de sua mãe Diana. Neste caminho encontrou a mulher com quem decidiu realizar a troca de papéis sociais e realizar o rito de passagem, oficializando-se para a sociedade. Enfim, esta é a história de novelas e de filmes que aconteceu na vida real e que fascinou boa parte da população do planeta.

Este é o romance ideal existente no sonho e no objetivo de vida de várias pessoas, principalmente nas mulheres (ocidentais e orientais). É a esperança de que ainda existe a perfeição e a felicidade. Porém, a realidade é diferente, e é certo que este mar de rosas não será eterno.
Mas o que mais instiga nessa história é o fato da sociedade ‘’perseguir’’ a história deste casal e se apoiar nela para alimentar as próprias fantasias.
Este movimento caótico da mídia e das pessoas em volta deste fato me faz pensar em uma Metonímia Social que existe atualmente.
Metonímia é a classificação de um conjunto de palavras que são utilizadas como figuras de linguagem para representar um significado. Por exemplo: Eu só vou ser feliz se eu me casar (causa e efeito). Sendo assim, o casamento representa a felicidade.
Este exemplo citado é o que se percebe em muitas jovens de hoje. Porém, não precisa ser visto somente com o casamento. Esta é UMA condição, mas existem diversas outras. O que preocupa é quando a pessoa vive nesta fantasia de que somente será feliz se acontecer isso ou aquilo e esquece de que ela é a protagonista da própria vida, é ela quem precisa fazer o próprio show e buscar a autonomia.
Pode até ser que tenham mulheres que não se identifiquem com a Kate Middleton, mas como a maioria da sociedade atribuiu um significado de ser ideal para ela é este que trará o impacto e o resultado (como o alto número de notícias nesta última semana).
Não são somente as crianças que se encantam com os contos de fadas. Pelo visto eles são necessários no cotidiano para trazer o equilíbrio em meio a tantas tragédias reais.

9 comentários:

  1. Verônica Bem30.4.11

    Lembrei de um filme: "O sorriso de Mona Lisa". Acho que compartilha do teu questionamento.

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  2. Com certeza!! Isso que o filme se passa décadas atrás. E o interessante é que esse ''Complexo'' social ainda permanece, mesmo que de forma mais sutil.

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  3. Muito interessante Nic! Faz a gente descer das alturas e colocar os pés no chão! Bjo

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  4. Anônimo2.5.11

    Não sei qual o motivo da tentativa de pseudo-filosofar este acontecimento. A identificação das pessoas são apenas pensamentos automáticos e crenças centrais. Simples, puro e objetivo. O fato de tanta atenção ao casório é porque além de eles serem um casal real, com tanto caos acontecendo no mundo, as pessoas precisam de uma história feliz para apreciarem e despertarem nelas sentimentos e pensamentos bons.

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  5. Isso aí! Todos os pontos de vistas são bem-vindos. Fico feliz que você tenha concordado com a parte final. Acho que esse é o ponto G do post e a reflexão que eu queria passar.

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  6. Bem gosto da contra mão do senso comum, a arte oculta que se projeta pelo tricotar de palavras que nos brindam belas colchas de significado! Espero que minha pseudo-tentativa não acarrete mais raiva e angústia a olhos alheios. Como gosto da linguagem. Certa vez escutei um sábio professor dizer, o simples é falso. E apoiado pelas idéias de Edgar Morin digo-vos que a complexidade com que tecemos a vida, não pode ser reduzida a mecanismos que interpretem e generalizem seres humanos. Excelente post Nicole!

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  7. A magia da vida começa no encantamento de um olhar. A sensibilidade de ver o sentido nos acontecimentos do dia a dia traz a beleza da existência.

    Adorei seu comentário Jefferson!!

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  8. Gostei muito do seu post, aliás tenho gostado muito do seu tom de crônica nos seus textos, trazendo o cotidiano para questionamento. Esse casamento traz muitas questões para o imaginário coletivo. Um símbolo do Casamento Alquímico!Ela de branco (albedo) e ele de vermelho (rubedo) e boom: pedra filosofal!

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